Do Concreto ao Mangue em SP

Rumos Teatro a semana inteira

por Ruben da Cunha Rocha

Nesta sexta-feira, 26 de agosto, tem início a Semana Rumos Teatro, que acontece no Instituto Itaú Cultural, em São Paulo, até o dia 3 de setembro. Uma semana promovida pelo Rumos Teatro e dedicada à teoria, prática e processos criativos desta arte, reunindo cerca de 200 artistas, de 12 estados do país, em apresentações, intervenções e conversas sobre seus métodos de pesquisa com o público.

A abertura da Semana, às 20h, será feita pelo ensaísta e professor de arte, tecnologia e cultura Laymert Garcia dos Santos. O tema da fala do professor é “Teatro, Mito, História e Tecnologia. Considerações sobre a Atualidade da Articulação entre os Quatro Termos”. A partir do sábado, dia 27, em vários horários, os projetos serão abertos ao público. E no dia 2, às 20 horas, a professora Cecília Salles realiza a palestra “Processos de Criação em Rede.
Interações como Espaços de Possibilidade”.

O encerramento dos encontros ocorre no dia 3 de setembro, às 15h30, quando as professoras Cecília Salles, Eleonora Fabião e Cristiane Paoli Quito se encontram com os participantes da Semana, em um balanço das conversas.

Rumos Teatro

O Rumos Teatro surgiu a partir de um programa criado em 2003, o Próximo Ato – Encontro Internacional sobre Teatro Contemporâneo. O projeto cresceu, ganhou dimensão nacional e, em 2006, teve início um processo de reformulação do qual participaram especialistas na área.

Foi então definido um eixo de debate que pudesse abranger as cinco regiões do país e criado o atual edital. Esse eixo foi o conceito de “teatro de grupo”. Ao todo, foram selecionados 12 projetos de pesquisas, cada um proposto por dois grupos, que o realizariam em intercâmbio entre eles. Além disso, os artistas produziram blogs, com o desenvolvimento dos processos de criação.

Semana Rumos Teatro
sexta 26 de agosto a sábado 3 de setembro

[ingressos distribuídos com meia hora de antecedência]

sexta 26
palestra Teatro, Mito, História e Tecnologia. Considerações sobre a Atualidade da Articulação entre os Quatro Termos
com Laymert Garcia dos Santos
20h
sala Itaú Cultural 247 lugares
[indicado para todas as idades]

sábado 27

pesquisa O Ator Animador e o Processo Criativo no Teatro de Animação
16h
com Caixa do Elefante (RS) e PeQuod (RJ)
sala Itaú Cultural 247 lugares
[indicado para maiores de 14 anos]

pesquisa Cia.teatroautônomo+irmãosguimarães

18h
com Cia. Teatro Autônomo (RJ)
arena 90 lugares
[indicado para maiores de 16 anos]

20h
com Os Irmãos Guimarães (DF)
sala Itaú Cultural 247 lugares
[indicado para todas as idades]

domingo 28

pesquisa Florestas e Antas, Experiências Teatrais – Em Busca de um Teatro Possível
18h
com Grupo de Teatro Celeiro das Antas (DF) e Teatro Experimental de Alta Floresta (MT)
sala Itaú Cultural 247 lugares
[indicado para todas as idades]

pesquisa Salsichão no Boquerão/Tainha na Prainha
[distribuição única de ingressos às 19h30]

20h
Erro Grupo (SC) apresenta Seminar Pornosuspense
piso térreo

21h
Cia. Silenciosa (PR) apresenta El Gran Cabaret Porno
piso térreo
[indicado para maiores de 18 anos]

segunda 29

pesquisa Narrativas Urbanas na Terra sem Lei
a partir das 16h com intervenção cênica de Cia. Senhas de Teatro (PR)
av. paulista – faixa de pedestres – altura do número 60
[indicado para todas as idades]

18h
com Núcleo Argonautas (SP)
Casa das Rosas [não haverá distribuição de ingressos]
[indicado para maiores de 14 anos]

pesquisa (Re)Soluções para Ontem: Inventar o Passado
20h
com Cia. dos Atores (RJ) e Os Fofos Encenam (SP)
sala Itaú Cultural 247 lugares
[indicado para maiores de 12 anos]

terça 30

pesquisa A Oralidade e a Cameloturgia − Uma Pesquisa Cênica do Porto ao Rio

18h
Será o Benedito? (RJ) apresenta Olha o Dado
rampa do metrô do Centro Cultural São Paulo
[indicado para todas as idades]

O Imaginário (RO) apresenta Varadouro
20h – 1ª sessão
20h45 – 2ª sessão
arena 90 lugares
[indicado para maiores de 16 anos]

quarta 31

pesquisa Do Concreto ao Mangue, Aquil que Meu Olhar Guardou pra Você…
18h
com Teatro do Concreto (DF) e Magiluth (PE)
sala Itaú Cultural 47 lugares
[indicado para maiores de 14 anos]

pesquisa Um Outro Si Mesmo – Troca de Pacotes
20h
com Espanca! (MG) e Companhia Brasileira de Teatro (PR)
sala Itaú Cultural 247 lugares
[indicado para maiores de 12 anos]

quinta 1

pesquisa Conexão Música da Cena

18h
com Clowns de Shakespeare (RN) e Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqu Traveiz (RS)
sala Itaú Cultural 247 lugares
[indicado para todas as idades]

pesquisa Conexões Coletivas: Angu e Bagacira

20h
Grupo Bagaceira de Teatro (CE) e Coletivo Angu de Teatro (PE) apresentam Projeto Abuso
sala Itaú Cultural 247 lugares
[indicado para maiores de 16 anos]

sexta 2

pesquisa Composição de Matrizes ou Matrizes em Composição?
18h
com OPOVOEMPÉ (SP) e Lume (SP)
sala Itaú Cultural 247 lugares
[indicado para maiores de 14 anos]

palestra Processos de Criação em Rede. Interações como Espaços de Possibilidades
com Cecília Salles
20h
sala Itaú Cultural 247 lugares
[indicado para todas as idades]

sábado 3

15h30
encerramento Encontro
com Cristiane Paoli Quito, Eleonora Fabião e Cecília Salles
sala Itaú Cultural 247 lugares

Itaú Cultural | Avenida Paulista 149 – São Paulo SP [próximo à Estação Brigadeiro do Metrô] | informações: 11 2168 1777 | atendimento@itaucultural.org.br  | itaucultural.org.br | twitter.com/itaucultural | youtube.com/itaucultural | facebook.com/itaucultural

Casa das Rosas | Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura | Avenida Paulista 37 – Paraíso – São Paulo SP | informações: 11 3285 6986 e 3288 9447 | contato.cr@poiesis.org.br

Centro Cultural São Paulo | Rua Vergueiro 1000 – Paraíso – São Paulo SP | ccsp@prefeitura.sp.gov.br

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A Experiência na “Sala de Espera”

A Experiência na “Sala de Espera”

por Thaís Dumêt Faria – Advogada, Mestre e Doutoranda em Direito pela UNB.

Afeto, amor, ódio, preconceito, sexo, tesão, indiferença, festa, tristeza, flores e perdão, uma profusão de sentimentos que nos arrebata ao longo de cada gesto, cada fala, cada reação do espetáculo “Sala de Espera” do grupo do Teatro do Concreto, que apresenta uma mostra de seus sete espetáculos, no CCBB Brasília, até 31 de julho. Em um momento onde vivemos em paradoxos extremos: de um lado uma decisão histórica do Supremo Tribunal Federal reconhecendo a união entre pessoas do mesmo sexo, do outro o vergonhoso recorde de maior número de mortes por homofobia, nossos sentimentos ficam revirados e, muitas vezes, o amor cede lugar ao inconformismo e, porque não dizer ao ódio e revolta. Quanta injustiça e violência não se dá em nome de alguma moral, de alguma religião, da ameaça que causa ver que nossos padrões mudam a cada dia para compatibilizar-se com a grande diversidade que somos nós, seres humanos. Quanta indignação não assola nosso corpo, de uma forma tão desenfreada, quando as injustiças e diferenças de tratamento entre as pessoas vêm à tona.

Nesse processo de revolta, muitas vezes a nossa capacidade de amar, de ter compaixão, de ensinar, se perde. Entrar no “Sala de Espera” foi magicamente retornar ao mundo do afeto, do ensinamento e do amor. A doçura no olhar daqueles jovens, que encaram a platéia todo o tempo, retirando dela todas as reações humanas, é de uma profundidade espantosa. Aquele momento passa a ser uma reflexão da nossa vida e um desafio aos tantos valores deturpados que são disseminados aos gritos pelo mundo. É uma forma calma, quase silenciosa de mostrar como o centro de tudo é o amor.

A história se dá entre dois homens que se encontram em uma festa e se amam louca e belamente. Mas, depois do prazer, vem a dor e o medo quando descobrem que estão com o vírus da Aids. Nesse momento, fisicamente mudamos de cenário e deixamos de lado a noite, as músicas e a ilusão para um espaço de reflexão, onde estamos todos numa grande roda que abriga, no seu centro, flores e emoção. É nessa roda onde o processo de afeto se dá. Somos todos incentivados a nos olhar, a olhar os outros e a refletir sobre nossas reações, nosso passado, nossos amores, amigos e doenças. Mas que doença é essa que ainda causa tanto medo, onde certamente a maior dor é a da indiferença e do preconceito? Que doença é essa que afasta pessoas, que fomenta o ódio, a separação, a solidão, o desamparo? Que doença é essa que ensina às nossas crianças as atitudes tiranas do preconceito? Essa doença definitivamente não é a Aids, essa doença é a ignorância e é sobre ela que devemos centrar todo nosso esforço para uma sociedade mais sadia. Combater a ignorância é buscar caminhos mais honestos, mais abertos, por vezes mais difíceis. É estar disposto a repensar sempre e, quando achar que já tem uma opinião sobre algo, repensar novamente.

Participar do “Sala de Espera” foi viver momentos de reflexão, de amor, de euforia e de dor. A adaptação de A Doença de Jean-Claude Bernardet feita por Fabíola Gontijo resultou um texto variado, dinâmico, sensível e capaz de tratar questões pesadas e dolorosas através do amor. E Francis Wilker e Marcelo Alves! O que dizer desses atores lindos e doces! Esses homens arrebataram nossos corações de tanto amor! Não sou crítica de teatro, mas quer saber? O teatro é feito para nós, para nos mobilizar, então quem melhor do que o público para exprimir tudo o que dele foi retirado, mexido, mudado ao longo da vivência do espetáculo.

A arte definitivamente é uma das formas mais diretas e eficientes de resgatar o que temos de primal, de resgatar a sensibilidade perdida, esquecida, deixada no canto, adormecida, ao longo dos desafios da vida. É com a arte que podemos aprender mais intrinsecamente que a única saída para a ignorância é o amor. Que a melhor forma de combater a violência é com a educação. Que a diferença é o que nos torna belos. Que o sexo é maravilhoso entre pessoas que se querem. Que não importa qual o sexo dos anjos, o que importa é o amor. Que, diante de tanta injustiça, de tanta violência e de tanta escuridão, resta nossa melhor arma contra os preconceitos: o afeto. É tão difícil manter o coração aberto diante de barbaridades cometidas em nome de sei lá o que. Mas, depois de sentar na “Sala de Espera”, saí com a alma renovada e certa de que a melhor flecha para acertar o coração do mundo é o afeto. Amem mais e mais e, a cada ato de covardia, respiremos fundo e possamos usar nossa melhor arma: a educação regada com muito afeto.

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Oficina: Cartografias da Cena Contemporânea

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